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A referência de que o trabalho terapêutico se funda e se orienta na direção desta afinação da confiança nos fala de uma confiança que se abre para o mundo, para os outros e para si mesmo, confiança na doação de ser. A terapia daseinsanalítica começa, então, numa afinação em que predominam o sentimento de desabrigo e as expectativas ligadas ao sentimento de estar-lançado e vai em direção a uma afinação de confiança.


João Augusto Pompeia
(trecho de Aspectos Emocionais na Terapia Daseinsanalítica)





Este livro é fruto de uma larga experiência como terapeuta, é o resultado de meditações e estudos em profundidade. No entanto, o tom de intimidade alcançado pela autora nesta obra nos faz pensar em alguém que surge assim como quem não quer nada, vai chegando perto, puxando prosa, e de repente a gente percebe que a conversa vai ficando gostosa, estimulante. E quando nos damos conta, estamos envolvidos em reflexões filosóficas de grande profundidade, grande complexidade.

O leitor vai também se envolver e se apaixonar por essa conversa, vai pensar e refletir sobre o que acontece num encontro terapêutico através do relato de um atendimento a uma paciente que vai se descobrindo e descobrindo a vida, desdobrando significados sobre seu passado, seu futuro e seu presente que, como para nós, para o Dasein, está sempre chegando, sempre se transformando, isto é, configurando a sua história.





Para a Daseinsanalyse voltada para um atendimento terapêutico, a grande questão humana é enfrentar o próprio ser e será desse enfrentamento que surgirão todos os, assim chamados, problemas psicológicos. Isso significa que, se quisermos compreender esta vertente ligada à clínica, teremos que entender Ser e tempo, pois é nele que se encontra a sustentação ou, como dizemos os fundamentos do sofrimento psicopatológico humano, assim como da prática que procura cuidar dessa dor.

Bilê Tatit Sapienza tem se dedicado a trazer para perto de nosso entendimento a abordagem fenomenológica e existencial. Neste novo livro, Encontro com a Daseinsanalyse, sua preocupação é mostrar, de maneira clara, como podemos nos apropriar da ontologia fundamental na prática clínica. Por alguns instantes, chegamos a esquecer dos alertas heideggerianos acerca da dificuldade da tarefa, tal a clareza e simplicidade com que a autora se expressa. Recomendamos este Encontro, tanto para o estudante que inicia seus estudos sobre o impacto da fenomenologia-hermenêutica na psicoterapia, como também para o leitor mais especializado.





Os autores reconstroem, neste livro, o ambiente que Miguel vem ao longo dos anos proporcionando a inúmeros terapeutas em suas supervisões. A partir do relato de sessões se desdobra a reflexão em grupo sobre o posicionamento do terapeuta diante do paciente, e de temas fundamentais e constantes no exercício clínico fenomenológico existencial.





Possibilidades da Daseinsanalyse clínica em todos os âmbitos do existir humano. O trabalho terapêutico com crianças desenvolvido desde o início de sua carreira constitui a base sólida desta obra, trabalho clínico original e desbravador, feito no dia a dia de sua clínica, somado ao exercício do pensar, no sentido que Heidegger propõe, de constantemente rever os fundamentos filosóficos de seu agir.

Os sentidos que constituem o horizonte existencial da mentira, da inveja, da cobiça, da luxúria, da soberba, da vaidade entre tantos outros assim chamados pecados é o que conta para uma pesquisa fenomenológica. Revelar o seu sentido no âmbito da vida fática pode certamente nos situar a respeito dos distanciamentos que podemos exercer em relação a nós mesmos e em relação ao coexistir.






Este cuidadoso trabalho de Bia já vinha sendo aguardado há tempos. Sua experiência com o atendimento de crianças, de pais e supervisão clínica irá contribuir em muito com o esclarecimento das possibilidades da Daseinsanalyse clínica em todos os âmbitos do existir humano. O trabalho terapêutico com crianças desenvolvido desde o início de sua carreira constitui a base sólida desta obra, trabalho clínico original e desbravador, feito no dia a dia de sua clínica, somado ao exercício do pensar, no sentido que Heidegger propõe, de constantemente rever os fundamentos filosóficos de seu agir.

Os leitores, sejam terapeutas, pais ou educadores se enriquecerão com a leitura deste trabalho, pois como Dasein, existimos temporal e historicamente, articulando constantemente passado, presente e futuro: infância, adolescência e maturidade numa totalidade cronológica inseparável.





A violência é assustadora. Tememos a violência em todas as suas formas, seja a violência da Natureza, seja a violência dos Homens. Entretanto, com o desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia conseguimos nos proteger melhor da violência da Natureza e nos tornamos mais vulneráveis à violência humana.

A violência provoca sofrimento. Quanto maior a violência, maior o sofrimento. Mas o sofrimento mais persistente e insidioso é aquele que brota da memória da violência sofrida. Ele nos assedia permanentemente e pode nos aprisionar num mundo violento sem saída.

A violência produz uma sensação de lucidez, rompendo nossa interpretação cotidiana da realidade, ela parece revelar de modo privilegiado a “loucura” do mundo onde vivemos, a violência do mundo. Diante desta violência nos sentimos impotentes frente aos acontecimentos da nossa própria vida.





Escritos sobre terapia e educação na era da técnica, os autores apresentam um amplo diálogo com temas centrais da terapia e da educação no mundo contemporâneo. A partir de uma consideração sempre pontuada por um recurso aos mitos e às histórias que nos foram legadas pela tradição, temos a oportunidade de acompanhar no livro uma discussão cerrada sobre a condição humana, o existir, a liberdade, a ética, o lugar da terapia em um tempo tomado pelo ideal da eficácia entre outros temas de grande importância para todos nós.

O ponto de partida do livro é certamente a ideia heideggeriana do Ser-aí humano como um ente marcado por suas determinações existenciais próprias. De qualquer modo, a grande qualidade do texto está em não se manter preso à linguagem conceitual heideggeriana, mas em tratar sempre com desenvoltura dos problemas, sem qualquer inserção de uma linguagem hermética e fechada.





Alguns horizontes se abrem nesta obra de Ida Elizabeth Cardinalli. Um deles é a possibilidade de aproximação com o pensamento de Medard Boss, médico psiquiatra suíço tão pouco compreendido entre nós, profundamente influenciado por Martin Heidegger, cujo pensamento sobre o ser e o existir humano tornou possível um novo caminho para a compreensão do homem sadio ou enfermo, livre das concepções racionalistas e subjetivistas. Um outro horizonte é a compreensão da doença por Boss, em especial a esquizofrenia, não como conjunto de sintomas previamente determinados, mas como um modo de existir no mundo, como uma retração das possibilidades efetivas de realização da própria existência.

Ainda um outro horizonte desponta no modo vigoroso como a autora corresponde ao convite, feito por Boss, para percorrer o caminho fenomenológico ao mostrar as dimensões efetivamente humanas quando prioriza o esclarecimento da experiência do existir esquizofrênico. A leitura desta obra é de grande importância para aqueles que procuram melhor compreender a daseinsanalyse, estar doente e a esquizofrenia, assim como a necessidade de reflexão filosófica para esta tarefa.






Reunidos neste livro estão os protocolos de mais de vinte seminários conduzidos por Martin Heidegger para estudantes e assistentes de psiquiatria, revistos e ampliados pelo autor; a transcrição de um conjunto de diálogos entre Heidegger e Medard Boss e trechos de mais de 250 cartas que Heidegger endereçou a Boss. Esse conjunto abrange temas centrais do pensamento geideggeriano, aqui tratados em sua relação com a psiquiatria, o que faz desta obra um material único.